POLÊMICA DO DIA: EDUCAÇÃO


Não havendo consenso, classificamos o assunto em pauta como polêmico. É o que acontece hoje com a educação. Mais ou menos metade dos pais quer a volta das aulas presenciais, outra metade defende ficar em casa e estudar por computador, pois afinal até os mais pobres dispõem de algum aparelho celular ou notebook.

Enquanto algumas escolas particulares reiniciam as aulas presenciais, pressionadas pela necessidade de faturar, professores e funcionários das redes públicas defendem a ideia do fique em casa, beneficiados pelo salário que recebem com ou sem trabalho ou pressionados por sindicatos ou associações de classe. Todos com o inimigo comum, o coronavírus.

Se há, portanto, um assunto polêmico, a educação presencial reina absoluta, sem nenhuma dúvida. Preenche programas radiofônicos, páginas de jornais e revistas, conversas de botequim e a nova modalidade de debate, popularizada na internet com o nome de “live”, que pode ser morar, viver, vivo, mas na prática é uma entrada ao vivo para comunicar ou debater alguma coisa. Na política é uma forma nada sutil de substituir entrevistas por declarações unilaterais, em que governantes comunicam suas decisões ou expressam suas opiniões sem serem interrompidos pelas incômodas perguntas dos jornalistas.

Os mais velhos devem recordar tempos não muito remotos em que, sem essa moderna arma da comunicação e obrigados a enfrentar os jornalistas, os donos do poder desabavam em agressões inadmissíveis. Uma delas, do general Newton Cruz, então comandante militar do Planalto, ficou famosa. Ele disse “cala a boca, jornalista”, dirigindo-se ao repórter Honório Dantas, em 17 de dezembro de 1983. A frase virou livro de Fernando Jorge, hoje em 7ª edição. Trata-se do melhor levantamento jamais realizado sobre a perseguição dos donos de poder aos periodistas, com histórias conhecidas ou descobertas pelo escritor brasileiro, ainda hoje em atividade. Tenho a primeira edição, presenteada no meu aniversário pelos meus dois filhos com a dedicatória: “Happy Birthday to you!!! Fale bastante, jornalista!”. a) Flávia e Paulo. Não sou muito de falar, mas meu blog está aí para quem quiser ler.

Quanto à polêmica sobre volta às aulas presenciais, o bom senso recomenda o isolamento possível. Havendo necessidade, conviva com a moderação e os cuidados necessários. Mas não cale a boca, jornalista ou não. Precisamos de mais escritores como Fernando Jorge.

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