TERESA CRISTINA SACODE SESC-VILA MARIANA

Poucas cantoras conseguem realizar a proposta do SESC-Vila Mariana: reunir num show os mais belos e importantes sambas-enredo das escolas de samba do Rio de Janeiro, com primoroso acompanhamento de ótimos percussionistas, um cavaquinho e um violão. Teresa Cristina pode, com simplicidade e excepcional categoria. Propostas como essa, realizadas nos dias 16, 17 e 18 de outubro, lotaram o auditório e incendiaram um público normalmente sisudo e compenetrado.  O último show pode ser considerado uma consagração para uma cantora que não apela para os habituais recursos de meninas assanhadas, que vão além dos dotes vocais.
Impressiona a qualidade do conjunto instrumental. Apenas sete instrumentistas e uma cantora conseguem reproduzir o clima de toda uma escola de samba de centenas de componentes, com a diferença de que o treino e a aproximação entre eles permite perfeição nos acordes e no ritmo. Não deve ter sido fácil para Teresa Cristina decorar tantos sambas-enredo, de letras enormes e às vezes complexas, mesmo dispondo de discreta cola, aos pés. Com certeza facilitou muito suas origens cariocas, tendo sido criada ao som dessas composições, que conhecia desde criança. Ela mesma confessa que viveu tudo isso quando menina, antes mesmo de tornar-se profissional.
Seria uma injustiça não nomear os músicos: João Calado, cavaquinho; Bernardo Dantas, violão; Trambique, Paulino Dias, Esguleba e Mingo, percussionistas. O fato de cada um ser de uma escola de samba diferente não trás nenhuma dificuldade ao desempenho do espetáculo.
O repertório inclui sucessos da Beija Flor, Mocidade Independente de Padre Miguel, Em Cima da Hora, Estácio de Sá, Unidos da Tijuca, Imperatriz Leopoldina, Salgueiro, Mangueira, Império Serrano, União da Ilha, Portela e Renascer de Jacarepaguá. Quer mais? Samba pra paulista nenhum botar defeito.
O espetáculo integrou um projeto que incluía Matrizes do Samba Carioca, contando com a participação anterior de Mart’nália, Dona Ivone Lara, Áurea Martins e Nilze Carvalho.
Foi uma boa oportunidade para os paulistanos conhecerem melhor o tipo de música que se faz no Rio de Janeiro. O público bem comportado quase saiu do sério, sacudindo o compenetrado auditório da Vila Mariana.


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