AÍ, VEM A TERCEIRA IDADE


Não dá para precisar, mas até os 50 anos - pouco mais, pouco menos - não sabia o que era uma dor de cabeça. É verdade que já sofrera pequenos ferimentos no pé, devido a um desastre de carro, sentira fortes dores na coluna, atribuídas ao popular bico de papagaio, bem como enfrentara consequências do abuso do álcool e do fumo. Dor de cabeça, nunca.
Como todo nordestino que se preza, minha alimentação era descuidada, abusando de gorduras e de todo tipo de guloseima, de tapioca a rapadura, de pinga a vinho São João da Barra. Até que um médico diagnosticou hipertensão arterial sistêmica, exigindo controle da alimentação e prática regular de atividades físicas. Antes disso, outro médico detectara gordura no fígado. Com o tempo, veio diabete tipo II, obesidade, crescimento da próstata, ameaça de catarata, danou-se. A chamada terceira idade veio com tudo e não tá prosa.
Apesar de tudo isso continuo frequentado os parques, piscinas e praias e apreciando todo tipo de paisagem. Não dispenso um rabo de olho nos diversos componentes da paisagem. Outro dia um velho amigo, o jornalista e escritor olindense Fernando Portela, me enviou lindo trabalho sobre a vida de Brigitte Bardot, uma das mulheres que alimentaram os sonhos dos rapazes na década de 60. Fiquei pensando como uma só mulher, umazinha, fez tanto furor na mídia a ponto de permanecer até hoje no imaginário de todos nós, mais de 50 anos depois.
É verdade que dezenas de criaturas igualmente lindas podem ser vistas todos os dias em Ipanema, Boa Viagem, nos modernos shoppings ou na saída de qualquer faculdade. Basta espiar, por exemplo, a saída das turmas da  FAAP na rua Alagoas, São Paulo, na hora do almoço, ou fingir que vai correr no parque do Ibirapuera. Até o metrô oferece boas oportunidades. Da 5ª Avenida em Nova York à esquina da Livraria Estudantil em Caruaru há exemplos do que estou tentando rememorar.
Confesso, envergonhado,  que já vivi meus tempos de "voyeur". Até chegar aos tempos em que a palavra saudade, criada para definir sentimento nostálgico em relação a pessoas que algum dia conhecemos ou com as quais nos relacionamos, deixa de ser um adjetivo meramente qualificativo. Saudade passa a ser algo concreto.  A ser verdade que o termo é exclusivo da língua portuguesa, mais verdade ainda é que retrata situação irreversível.  

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