HISTÓRIA DE CARUARU: UM DESAFIO

A diretora de VANGUARDA, Mércia Lyra, lançou um desafio a sua equipe de redação: transformar em livro a edição especial dos 80 anos de circulação do jornal, comemorados em 1º de maio. Nela está resumido praticamente tudo o que ocorreu na cidade desde 1932, num trabalho gigante de pesquisa.

O mais importante - o texto - já está pronto. Faltaria um projeto gráfico, com ilustrações que também já existem nos arquivos do próprio jornal, e um patrocinador.

Um dos aspectos que chama a atenção nesse trabalho é a parcimônia com que o suplemento trata a família Lyra, cuja influência nos destinos de Caruaru é evidente. Desde João Lyra Filho até João Lyra Neto, prefeitos e deputados mais de uma vez, passando pelo ministro da Justiça e várias vezes deputado federal, Fernando Lyra, todos os integrantes têm expressivos episódios envolvendo o desenvolvimento da região. A Rodoviária Caruaruense, por exemplo, é um caso de integração, conduzindo para Recife e outras cidades uma população ávida por viajar, conhecer outras plagas, mas sempre de volta à Princesa do Agreste. Num país tão cheio de episódios deprimentes, envolvendo políticos, não há notícia de qualquer falcatrua ou deslize, porventura cometidos por algum dos Lyra.

Só por isso, eles ou quaisquer colaradores poderiam cantar loas, mas sempre fala mais alto a modéstia e a dedicação às causas mais nobres, como ocorre no momento com o trabalho do vice-governador e de sua filha, Raquel Lyra. A família sabe separar seus empreendimentos da luta política, contabilizando individualmente perdas e danos, para colher em seguida o lucro líquido do carinho de todos. Daí, talvez, a vitória nas urnas.

Quado João Lyra Neto foi buscar em São Paulo 20 ônibus zero quilômetro para renovar a frota da empresa tive a oportunidade de viajar num deles, precisamente o que era dirigido pelo próprio Joãozinho, já transformado em jovem e bem sucedido empresário. Foi na década de 60, quando eu já me aventurava pelas terras paulistanas, trabalhando na Editora Abril. Mesmo morando tão longe, nunca perdi o hábito de frequentar, no mínimo anualmente, a Churrascaria Guanabara e o Bar de Belo, ambos nas proximidades do Cine Caruaru, participando de tertúlias com João Belmiro, Arsênio Gomes, Romero Figueiredo, Assis Claudino, Aluízio Falcão, Lício Neves, Fernando Soares, Chico Santino, Hugo Martins Gomes (Guri), e tantos outros. Éramos literalmente os donos do mundo, recitávamos Vinícius e cantávamos as músicas de Sílvio Caldas. Bons tempos, que o poeta Maurílio Bedor Sampaio transformava em sonetos, Fernando Monteiro Florêncio e Romero Figueiredo em belos quadros e Assis Claudino em crônicas inesquecíveis.

A edição especial de VANGUARDA constitui, portanto, ótima oportunidade para perenizar em livro os episódios que fizeram desta cidade a mais importante do interior de Pernambuco. Salve a terra dos Condé, dos Casé e dos Tiné!


(São Paulo, 9/07/2012)

Comentários

  1. Parabéns Flávio, que mesmo longe, nunca esqueceu das suas origens. Obrigado em nome da Família Tiné, ramo do saudoso Henrique Tiné.

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