NA CONTRA MÃO DO ROCK IN RIO

Na contra-mão do Rock in Rio, que despertou o entuasiasmo de milhões, fui ontem ao concerto da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), na Sala São Paulo, naturalmente. O maestro era Kristjan Jarvi e a solista Yuja Wang. A música, Concerto nº 3 Para Piano em Do Maior Op.26, de Sergei Prokofiev.
Antes do concerto principal, a orquestra executou On The Town, de Leonard Berenstein.
Não é preciso dizer que minha tarde de sábado foi inesquecível, não apenas pela qualidade da música mas também pela qualidade do ambiente, finamente decorado, como se sabe, e pela elegância e beleza dos presentes. Desde o início das atividades da nova OSESP compareço aos concertos dos sábados. Os da quinta e sexta-feira são também muito agradáveis, mas fica mais difícil de comparecer porque terminam muito tarde e a viagem de volta é uma aventura.
Não sou nenhum erudito, em termos de música, mas frequento concertos desde os tempos em que morava numa pensão da rua da Aurora, no Recife. O Teatro Santa Isabel era minha "praia" aos domingos, onde pontificava o maestro Vicente Fitipaldi - alguém lembra?
Em São Paulo a partir de 1964, passei a frequentar o Teatro Municipal da Praça Ramos de Azevedo, bem em frente ao Mappin. Esse tipo de programa sempre foi muito bom e barato, daí minha opção, já que nunca fui um homem de posses.
Não sendo rigorosamente um erudito, sou um ouvinte disciplinado, daqueles que não fecham os olhos para nada, e muito menos os ouvidos. Gosto de conversar com os músicos e os maestros, talvez por ser um compositor e músico frustrado, que jamais desenvolveu suas eventuais aptidões. Sei que antiguidade não é documento, como se diz na gíria, mas quem sabe de tanto ouvir música clássica, em mais de 50 anos, tenha um pouquinho de autoridade para deitar falação a respeito.
Sobre o concerto de ontem, por exemplo, afirmar que foi impecável é repetir o que os críticos, os verdadeiros, já escreveram nos jornais. A incrível habilidade da pianista comprova a razão de seu sucesso mundial.
A propósito, quem sabe nosso conterrâneo Vitor Araújo fizesse melhor negócio limitando-se a tocar piano, ao invés de ficar inventando performances.
Para os que imaginam ser dífícil frequentar a Sala São Paulo aqui vai uma dica. Aos sábados há um artifício que possibilita o acesso de qualquer pessoa aos concertos. É o Ingresso da Hora. Minutos antes do início do espetáculo são colocados à vendas alguns bilhetes a R$ 10,00. Entra-se após o terceiro sinal, isto é, quando todos já estão devidamente acomodados em seus respectivos lugares. Os vazios são ocupados por esses compradores eventuais. Concerto a R$ 10,00 e metrô na porta. Se quiser ir de carro, o estacionamente é R$ 12,00.

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