SOBRE LONGEVIDADE

Fernanda Montenegro, 88, arranca aplausos de uma multidão que discute quadrinhos na Comic Com Experience; Audálio Dantas, 88, recebe o Prêmio Alberroz pelo conjunto de sua obra (jornalista, escritor, líder sindical, político); José Hamilton Ribeiro, 84, reúne em livro tudo sobre música e artistas caipiras e anda a cavalo em reportagens para o programa Globo Rural; Zuza Homem de Melo, 84, lança mais um livro sobre MPB (Copacabana, a trajetória do samba-canção); Silvio Santos, 87, com duas biografias nas livrarias atualmente, saracoteia no auditório do SBT em meio às menininhas, que antigamente chamavam de macacas de auditório; Ângela Maria, 88, ainda canta toda segunda-feira no Bar Brahma, da São João com Ipiranga, aquela esquina imortalizada por Caetano Veloso, 65, que entrevistei algumas vezes aos 20, ou 20 e poucos, quando aportou a Sampa com Gal, Bethânia, Gil e Novos Baianos. Todos aí, ainda. Na Barra Funda, São Paulo, encontro José Ramos Tinhorão, 88, às sextas-feiras, no apartamento de Assis Ângelo, 65, discutindo MPB. Tinhorão cedeu seu acervo de milhares de discos e livros ao Instituto Moreira Salles. Assis Ângelo perdeu a visão por causa de um descolamento de retina e transformou seu patrimônio, livros e discos raros, em Instituto Memória Brasil. Histórias se cruzam diariamente. Ainda esta semana o velho amigo Danilo Queiroz da Silva, 75, irmão do saudoso Carlos Fernando e de Manuel Messias, me contou que de vez em quando toma um chopinho com Roberto Luna, 88, nos Campos Elísios, onde a filha de Nelson Gonçalves mantém um bar para cantores da velha guarda. Roberto toma só um, olhando para os lados e para trás, e explica: minha mulher não pode saber... Já o amigo e poeta Frederico Sérgio Moreira da Rocha, 88, orgulha-se de manter-se em atividade em seu consultório ao lado do famoso Amarelinho, no Rio de Janeiro. De vez em quando me manda suas poesias, nas quais saúda líderes soviéticos decadentes. Para matar saudades, Fred telefona sempre para outro velho e antigo companheiro, crítico de cinema Celso Marconi, 94, que mora em Olinda, e se explica: toda ditadura é de direita. Celso, por sua vez, é vizinho de Fernando Florêncio, 84, que de tanto admirar Hilda Hirst fez-lhe um retrato impecável, que me presenteou por pura amizade. Hilda revive como homenageada do próximo Flip de Paraty. Diante de vitalidades quase centenárias, quase me sinto um menino, beirando os 81. 09/11/2017 https://scontent.fgru5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/24993588_1788246627875625_6053181640635849973_n.jpg?oh=5e29aa52c4b5694b215427d213b1c1ea&oe=5A88FBE9

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