VOLTA ÀS ORIGENS


Todos os anos a viagem à região de origem é inevitável. Parentes e velhos amigos devem ser visitados, novos sobrinhos e sobrinhos-netos precisam ser conhecidos. Temos de enfrentar filas no aeroporto e táxis cada vez mais caros. 
Uma vez instalados na casa da família, vamos em busca de paisagens e de amigos. Não  mais cometo a gafe de telefonar para alguém sem antes procurar saber por onde anda.  Há sempre o risco de ouvir do outro lado da linha a informação de que o dito cujo já não está entre nós. Ex-namoradas, cheias de filhos  e netos, nem sempre querem reviver o passado. Outras, viúvas ou desquitadas, já tiveram outras experiências e deixaram tudo de lado, principalmente velhos amores.
 Quando localizei uma simpática colega de ginásio, justo aquela a quem as primeiras cartas de amor, ela agradeceu a gentileza e foi direto ao assunto:  não gosta do passado, já é viúva  e avó. Agradeceu o telefonema mas não manifestou o menor interesse em rever o amigo pessoalmente ou relembrar os "amassos" da juventude.  Assim, na lata. 
Em outra oportunidade manifestei, em crônica na mídia, dúvidas sobre a melhor opção em termos de férias à beira-mar, tantas as praias e resorts. Foi o suficiente para receber ofertas de incríveis pousadas no vasto e incrível litoral brasileiro. 
 Já me utilizei do recurso de dar a impressão de sucesso, por meio de gestos e frases ridículas, tipo fui e venci. Depois me convenci de que isso não passa de uma grande bobagem. Quem venceu mesmo foi o que ficou na sua terra, enfrentou seus algozes cara a cara e os derrotou um a um. Nem sempre há mérito quando, em terra alheia, a gente precisa matar um leão por dia para sobreviver. Podemos pensar no máximo que a inteligência emocional nos levou aos caminhos certos e contamos com a sorte. Nesse sentido, não há arrependimentos. 
A primeira namorada, a primeira cidade, o primeiro beijo, o primeiro emprego, a primeira madrugada na rua, a primeira viagem de avião, nada a gente esquece. Talvez  por isso a gente insista na volta às origens, provocando as multidões nos aeroportos e rodoviárias, os congestionamentos nas estradas e a corrida às lojas para comprar lembrancinhas. As famílias se dividem entre as raízes e os novos descendentes das cidades grandes. 

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